terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Marcada.

Aquelas gotas de chuva que caíam ininterruptamnte do céu queimavam em minha pele como se fossem fogo e não água. Cada uma delas me marcava, eram agulhas me furando. Grudavam por todo o meu corpo e escorriam, evaporando rapidamente devido à alta temperatura do meu corpo. Meu vestido vermelho, tão curto e decotado, de encharcado que estava já parecia fazer parte de mim.
Uma bituca de cigarro boiava pela água da chuva que ía em direção ao bueiro. a marca de batom carmim indicava que havia muito mais por trás de um simples tragada. Insinuava uma noite de paixão proibida que deveria ter sido mantida em segredo mas que fora denunciada. Era como um lampejo, a impressão de um beijo transbordando desejo.
A lua cheia recortada contra o céu flagrava a peça de roupa íntima feminina, púpura, esquecida e escondida. Ela foi testemunha de uma marca, marca feita por um lapso de impulsos recheados de erotismo disfarçado.
A forma de uma mão, grande, quente e masculina, se destacava vermelha na parte interna da minha coxa. Ess marca ainda borbulhava sobre a superfície de minha pele. Me fazia desejar e quase pedir uma noite igual a aquela novamente.
Por dentro, a culpa me marcava crescendo escondida em minhas entranhas. Culpa por não sentir vergonha ou remorso pela minha falta de pudor e pelo libido em excesso que eu satisfazia.
E essas marcas continuariam até o novo anoitecer, quando finalmente, tudo se repetiria.





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The way that you kiss
The taste of your lips ♪

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